Subsídios para a prática docente

A tarefa do professor ao inserir o aluno num âmbito social

Texto Gabriela Bernardi Zóboli | Adaptação Giovanna Henriques | Foto Shuttertsock

 

Quando pensamos em socializar nossos alunos, precisamos introduzi-los na vida social, pois vivemos em sociedade e precisamos uns dos outros para evoluirmos cada vez mais em nosso conhecimento. O professor poderá utilizar vários processos para ajudar a socialização de seus alunos. Seguem algumas sugestões de processos: solicitar a participação ativa, possibilitar a convivência fora da sala de aula, utilizar métodos de ensino socializantes, trabalhar histórias que incentivem o companheirismo, formar coral e/ou jogral, fazer as comemorações dos aniversariantes do mês, organizar jogos didáticos, promover excursões, organizar comissões internas para levar problemas da sala para discussão, promover comissões externas para ligar a escola com a comunidade e tantas outras que o próprio professor poderá criar.
Como estimular a aprender
Quando falamos de práticas docentes, não podemos deixar de refletir a respeito de como poderemos estimular ou incentivar nossos alunos a aprender. Não motivamos, e sim, preparamos incentivos ou estímulos para que os motivos possam brotar dentro do aluno. Lembrando que a motivação resulta da soma dos estímulos e dos incentivos provenientes do ambiente — professor, colegas, objetos de aprendizagem etc. — e estes provocam nos alunos o ato motivacional que os leva a aprender. Motivação, como sabemos, é o “motivo para a ação” — a motivação é importante porque toda aprendizagem exige esforço, o esforço sempre exige interesse em relação a um assunto, e o interesse é um estado emocional, um desejo, uma atração do aluno para com o tema em estudo ou que será estudado. Podemos falar de heteromotivação e de automotivação. A primeira vem de estímulos externos provenientes do professor, dos colegas de classe etc., e a segunda vem do próprio aluno, quando este quer aprender porque tem muito interesse a respeito de determinado assunto, que poderá não ser objeto de estudo em sala de aula. Exemplo: um aluno adora estudar os planetas celestes e ele se aprofunda por conta própria nesse assunto. Ninguém o está incentivando, ele mesmo se estimula ou se incentiva, motivando-se.
Técnicas ou recursos
Os professores podem utilizar várias técnicas ou recursos para incentivar seus alunos. Como, por exemplo, aproveitar assuntos da atualidade, explorar fatos da vida dos alunos, procurar sempre integrar a matéria estudada com a realidade, procurar favorecer a realização de competições escolares, deixar o ambiente da sala de aula sempre alegre e atraente, elogiar sempre os alunos que cumprem as tarefas de forma adequada etc.
O disciplina em sala de aula é muito necessária para o bom andamento das aulas. Consiste na maneira de agir do aluno em relação à cooperação deste no desenvolvimento das atividades propostas. Também é fundamental o respeito e a solidariedade que o aluno demonstra com seus colegas. A disciplina tem estreita relação com a maneira de o aluno defrontar-se com as dificuldades que enfrenta e que procura resolver sem prejudicar seus colegas da sala de aula. A disciplina é importante na família, na escola e em qualquer instituição, pois se ela faltar, não haverá progresso nem sobrevivência. A disciplina consiste no resultado de várias aprendizagens interligadas, na área afetiva, na cognitiva, motora e social. Começa nos primeiros dias de vida e continua durante a vida toda. Não devemos confundir disciplina ou matéria de estudo com a palavra disciplina como forma de comportamento. Na prática docente devemos sempre ter em mente que a socialização, a motivação e a disciplina tornam o trabalho não só eficiente, mas muito eficaz também.
Linguagem didática
Em nosso cotidiano escolar precisamos utilizar uma linguagem adequada, isto é, a linguagem didática. Esta deverá ser objetiva, clara, direta, correta, apropriada ao nível de conhecimento do nosso aluno, em tom e altura adequados. O tom de voz deverá ser agradável, nunca utilizar piadas e palavras vulgares, sendo sempre acertada à cultura dos alunos Lembrando que cultura são todas as manifestações de um povo. Quando estamos dando uma aula e queremos dar ênfase a uma palavra ou conceito é importante dar uma inflexão de voz mais vigorosa para os alunos prestarem mais atenção. Também, destacar as palavras ou conceitos no quadro de escrever. Devemos ter muito cuidado com os erros de concordância verbal e nominal, assim como com os erros em conceitos emitidos. Nestes casos, o professor deverá rapidamente consertar seus erros Nunca deixe passar um erro que cometeu, sem sua devida correção. Nunca fale muito rápido, nem muito alto em sala de aulas. No primeiro caso, muitos alunos não acompanharão seu pensamento e quando falar muito alto você atordoará os alunos, acabando por dispersar a turma.Também, evite falar muito devagar, como se fosse um ditado, pois os alunos com certeza ficarão sonolentos ou entediados. O professor educa por meio de uma série de fatores já citados e também pelo uso correto da sua linguagem e pelo exemplo que representa para os seus alunos.
Aula expositiva
Outro subsídio de ensino que é importante destacar é o da “aula expositiva”. Ela consiste na apresentação de um assunto, feita de uma forma lógica e estruturada. O professor ou docente precisará apresentar sua aula tendo uma postura de diálogo com o seu público, utilizando perguntas e recursos de ensino como motivadores.
A aula expositiva poderá ser dogmática ou dialogada. Na aula dogmática, só o professor fala e não admite nenhuma pergunta ou dúvida dos alunos. Já na aula dialogada, o professor faz e permite perguntas, isto é, há participação dos alunos. A postura do professor, deverá ser de interesse por todos os alunos, não olhando ou parando somente em um lado ou em um único lugar, mas deverá procurar olhar para todos os alunos, enquanto dá sua aula expositiva. Lembre-se de planejar bem sua aula, com objetivos claros, conteúdos bem estudados, estratégias e recursos de ensino correlatos ao assunto, com perguntas ao longo da aula para ir recapitulando, para a fixação da aprendizagem. Esta é uma forma de fazer com que o aluno assimile melhor o que foi aprendido em sala de aula.
Antigamente se usava a palavra decorar o que aluno havia aprendido. Hoje, fixar a aprendizagem significa aquilo que o aluno assimilou, incorporou ao seu conhecimento e a sua personalidade. Sugestões para o aluno fixar a aprendizagem: utilizar o estudo dirigido, fazer recapitulações periódicas dos assuntos, recapitular os assuntos de cada aula, usar fichas para estudos independentes, dar problemas para os alunos buscarem as soluções, fazer pesquisas em diferentes fontes etc. Durante a fixação da aprendizagem os professores precisam supervisionar seus alunos para que não fixem conceitos ou fórmulas erradas.
Trabalho em grupo
O trabalho em grupo é um recurso muito vantajoso, pois além de desenvolver o conteúdo da aula, ele também propicia o desenvolvimento das relações interpessoais, entre os alunos. Nesse recurso de ensino, os alunos se comunicam, trocando ideias, respeitando sua vez de falar, cooperando com seus colegas etc. Ao formar grupos de trabalho cooperativo, agrupe de três a cinco alunos (sete, no máximo), mesclando alunos com diferentes habilidades e talentos. Esse tipo de trabalho desenvolve muito a participação, a cooperação e a solidariedade entre os discentes. Nos grupos, cada membro tem um papel a cumprir. Como segue: um coordenador ou líder (para que o grupo não se distanciar do assunto), um secretário ou redator (que será ajudado pelo grupo e fará as anotações do assunto discutido), um relator (que ao final do trabalho lerá as anotações do grupo). Todo trabalho em grupo precisa seguir algumas etapas: 1- planejar (os papéis no grupo e os objetivos que pretendem alcançar no trabalho); 2- a seguir vem a coleta de dados do grupo; 3- seleção dos dados coletados e que são mais pertinentes ao assunto de estudos, 4- análise e elaboração dos dados por escrito (não copiados) e 5- a conclusão do grupo. No dia e hora marcadas pelo professor, cada grupo apresentará suas anotações, entendimento do assunto e avaliação de sua participação naquele grupo. Podemos trabalhar em grupos em todos os níveis de ensino, desde a educação infantil, é só adaptar as atividades e as orientações.
O trabalho em grupo, geralmente envolve pesquisas dos alunos, seja em livros, revistas, fazendo entrevistas ou utilizando dados da internet. A pesquisa sempre envolve um problema a ser resolvido. Ela auxilia a livre iniciativa, com a orientação de um docente. A pesquisa tem por objetivo desenvolver a independência mental e a curiosidade. Também, estimula os alunos a perseverarem em seu trabalho, mesmo quando encontram dificuldades. Enfim, a pesquisa proporciona, gradualmente, a busca da autonomia para se apoderar do conhecimento. Cada pesquisa deverá ter seus objetivos. Ela poderá ser usada na Educação Infantil para desenvolver a curiosidade, a estimulação da discriminação auditiva, visual, capacidade motora, capacidade viso-motora, lateralidade etc. No Ensino Fundamental os temas deverão ser bem claros e de forma direta; no Ensino Médio, o professor colocará vários temas, para cada grupo escolher o que mais lhe interessa. No Ensino Superior, o ideal é que os temas sejam livre. Logo após os grupos escolherem os temas, os professores precisam ajudar os grupos a distribuir as tarefas, sugerir bibliografia, e como discutir em grupo, isso tudo de acordo com o nível de ensino dos alunos.
As apresentações dos trabalhos de pesquisa tanto poderão ser feitas de forma escrita e com explicação do grupo, como também de forma dramatizada ou utilizando uma série de cartazes, dependendo da disciplina, do assunto e do nível de ensino dos alunos. Nas apresentações perceberemos as dificuldades de alguns grupos. A seguir, é a hora de orientá-los muito bem, para os próximos trabalhos. A pesquisa é um meio muito rico para a aquisição da aprendizagem significativa, que nunca mais será esquecida pelos alunos.

 

Revista Conhecimento Prático Língua Portuguesa Ed. 64