Saiba mais sobre os espaços direcionados à Educação Científica

Museus e centros de Ciência existem no Brasil desde o século XIX. Saiba como eles ganharam a visibilidade da mídia e a consolidação

Texto Tiago Eloy Zaidan | Adaptação Isadora Couto | Foto Shutterstock 

 

No bojo das transformações induzidas pelo desembarque da Coroa Portuguesa no Brasil, no primeiro quartel do século XIX, o Rio de Janeiro assiste à criação do Museu Nacional. Mais que uma ode à natureza pujante destas paragens, a instituição assume posto de vanguarda, pois é a primeira no país “… dedicada primordialmente à história natural”, fazem saber Maria Valente, Sibele Cazelli e Fátima Alves no estudo Museus, ciência e educação: novos desafios. Ao Museu Nacional seguem-se o Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém (1866), e o Museu Paulista, em São Paulo (1895), ambos dedicados às ciências naturais. Com o primeiro movimento de criação de museus de ciência em solo brasileiro, consta que o Museu Nacional chega, até mesmo, a encetar cursos e palestras populares, como parte de seus esforços instrucionais. Contudo, tais iniciativas – a despeito do apelo do pioneirismo – não entusiasma àquela sociedade escravocrata e iletrada. Desde então, mudanças sucedem-se nos domínios dos equipamentos científico culturais, que pululara pelo país e transmutaram suas concepções e metodologias, consolidando-se como importantes aliados da educação científica continuada.

 

 

Inovações e rupturas

A dinâmica – ou a falta dela – do passado, quando aos visitantes é oferecido, em regra, apenas a possibilidade de contemplar as coleções, é gradativamente influenciada por uma abordagem epistemológica, centrada na experiência científica dos tipos “faça você mesmo” e “ciência em ação”. Pode-se dizer que considerações consagradas do campo da comunicação organizacional são incorporadas por tais equipamentos, que passam a prezar crescentemente pelo público-alvo – propugnando o diálogo na interação com estes. Tais rupturas sugerem uma superação ao que os pesquisadores Giselle Soares, Gerlene Rodrigues e Rivelson Rios denominam de Modelo Hipodérmico, na medida em que ocorre uma evolução “… para modelos mais complexos, que visam defender a necessidade de incorporação dos visitantes como parte ativa do diálogo proposto pela instituição (museus ou centro de ciência)”. O papel dos centros e museus de ciência na relação com as escolas também vem sendo questionado. Mas nem sempre é assim. Especialmente nas primeiras décadas do século XX, tais espaços são marcados por processos de escolarização, decorrentes do superdimensionamento de seus papéis pedagógicos, que os conduzem a meros auxiliares da educação formal. Trata-se de um paradigma ainda não completamente superado, a despeito da intensa relativização do papel dos museus de ciência.

 

 

Sobre o assunto, Michel Van Praet – pesquisador e diretor do Departamento das Galerias do Museu Nacional de História Natural de Paris –, em entrevista concedida a Luciana Koptcke e Luisa Massarani, em 2005, é enfático: “Acho melhor evitar o termo pedagógico quando se fala de exposição ou de ação no ambiente museal. A relação com a instituição escolar deveria se desenvolver em termos de parceria, cada um assumindo as suas diferenças”. Neste sentido, especialmente nos centros com maior profissionalização da área de divulgação científica, espaços como museus e centros de ciência vêm sendo encarados, cada vez mais, como meios de comunicação – ou melhor, um compósito deles: como mídia. E, como tal, o desenvolvimento de novas audiências, cada vez mais amplas e diversificadas, é contemplado por suas estratégias, o que estimula ainda mais a aproximação entre os equipamentos científico-culturais e a comunicação organizacional. Emblemas desse novo posicionamento são os chamados Science Centers, que promovem a ciência multidisciplinarmente. Permeados à exaustão por elementos de interatividade, incluindo experimentos – introduzidos, de preferência, continuamente – tais espaços vão bem além da apresentação de legendas e de audiovisuais. Compatibilizam, definitivamente, a divulgação científica a elementos de comunicação e cultura de massa – a despeito do receio dos analistas mais conservadores. Valente, Cazelli e Alves apontam o Ontario Science Centre e o Exploratorium – em Toronto, Canadá e São Francisco, EUA, respectivamente (ambos fundados em 1969) – como os Science Centers pioneiros.

 

***Adaptado do artigo “Espaços de ciência: Da divulgação à educação científica” 

Revista Conhecimento Prático Língua Portuguesa | Ed. 56