O papel do professor

O professor precisa entender a importância de ser um bom negociador de significados e facilitar a construção de novos conceitos. Veja como!

Texto Júlio Furtado | Adaptação Isadora Couto | Foto Shutterstock 

 

Aprendizagem significativa caracteriza-se pela interação cognitiva entre conhecimentos novos e conhecimentos prévios, chamados por David Ausubel de subsunçores. Para que aprendamos um novo conceito ou uma nova ideia, precisamos fazer uma correlação entre o novo e o que já sabemos. É um processo interativo, logo, ambos os conhecimentos, novos e prévios, se modificam: os novos conhecimentos adquirem significados e os prévios ficam mais elaborados, mais ricos em significados, mais estáveis cognitivamente e mais capazes de facilitar a aprendizagem significativa de outros conhecimentos. Ao desenvolver, por exemplo, o conceito de “sujeito”, o aluno irá relacioná-lo ao conceito de “pessoa” que ele já possui (ser humano, a princípio do sexo masculino, por exemplo) e essa relação irá facilitar a construção do novo conceito. Nesse caso, o educando adquire um novo conceito e o conceito prévio é ampliado. O conceito prévio pode facilitar a construção de um novo conceito, mas pode, também, dificultar esse processo.

 

 

No caso citado, o aluno pode ter dificuldades para entender que o sujeito de uma frase não é necessariamente uma pessoa. Esse exemplo ilustra a existência de significados cotidianos (que geralmente são trazidos pelos alunos) e significados científicos (que são apresentados pelo professor). É nesse contexto que o professor precisa se apropriar da importância de ser um bom negociador de significados, de forma a facilitar a construção de novos conceitos, aceitos cientificamente. É preciso que façamos uma diferenciação entre significado e sentido. O sentido é a soma dos eventos psicológicos que a palavra evoca na consciência. É um todo fluido e dinâmico, com zonas de estabilidade variável, uma das quais, a mais estável e precisa, é o significado, que é uma construção social, de origem convencional (ou sócio-histórica) e de natureza relativamente estável. O sentido é formado de maneira rápida, a partir de correlações diretas que a aluno faz entre o novo e o prévio. É, porém, revestido de subjetividade e necessita ser depurado para que se converta em um significado socialmente aceito. Pode ser que o educando forme um sentido de sujeito que somente se aplique a situações em que ele identifique o agente da ação caso seja uma pessoa. (influência do conceito prévio de sujeito que ele já tráz). Nesse caso ele terá dificuldade em entender quando analisar frases em que o sujeito é um objeto, fato ou sentimento.

 

 

 

***Adaptado do artigo “O papel do professor na negociação de sentidos”

Revista Conhecimento Prático Língua Portuguesa | Ed. 52