O ensino de Língua Portuguesa e a variação linguística

Discussões cada vez mais presentes sobre o ensino de língua portuguesa no Brasil têm trazido à tona a necessidade de conhecer e respeitar tanto as variedades sociais quanto as regionais do aluno

Texto Edmilson José de Sá | Adaptação Isadora Couto | Foto Shutterstock  

 

A descrição linguística nos veios fonéticos, semântico-lexicais e morfossintáticos é essencial para que se tenha um retrato fiel da língua portuguesa falada e escrita no Brasil. Quando são estudados os falares regionais, especialmente nos estados nordestinos, e concernente às discussões sobre Dialetologia e Sociolinguística, brota sempre a tese que busca refletir sobre o tipo de variação encontrada, se essa variação é regional, dialetal ou se ocorre por interferência de elementos sociais. Normalmente, o método utilizado para o ensino de Língua Portuguesa no Brasil não considera, particularmente, as variedades linguísticas, sejam de caráter regional, sejam de caráter social. O que se percebe é que tais variações são consideradas como erros do aluno, sendo, portanto, alvos de preconceitos e estigmas, fato que inibe a sua utilização em sala e, até mesmo, ocorre a omissão das mesmas nos livros didáticos, o que parece refletir no desconhecimento do docente quanto à importância da variação linguística para o ensino-aprendizagem da língua materna.  A língua, então, parece ser homogênea, mas, ao mesmo tempo, se compõe de elementos heterogêneos constituintes da sua estrutura real.

 

 

Por isso, a existência da variedade na língua não deve ser algo excluído da sala de aula. Deste modo, teóricos têm mostrado em seus estudos cada vez mais avançados o quão útil o conhecimento da variação pode auxiliar a aprofundar as descrições e análises linguísticas. Se ocorrer o contrário, o ensino da Língua Portuguesa tende se tornar mais complicado e, pelo continuum, mais atrasado.  Quando se fala na já pública “crise do ensino-aprendizagem da Língua Portuguesa”, algumas razões vêm à tona para que ela ocorra, dentre as quais a simples memorização de itens gramaticais. Para contornar essa ‘crise’, torna-se conveniente o uso de uma metodologia apropriada de modo a respeitar o padrão que o aluno detém como oriundo de sua comunidade de fala, mas, ao mesmo tempo, conscientizá-lo da melhor forma de entender a variedade culta da língua materna.

 

***Adaptado do Artigo: “Ensino de Língua Portuguesa e a variação Línguística Sociodialetal”  

 

Revista Conhecimento Prático Língua Portuguesa | Ed. 57