Gêneros Acadêmicos
 Monografias
Muitos cursos superiores exigem do aluno, como trabalho de término de curso, uma monografia. Entretanto, não raro, os alunos se encontram perdidos na hora de escrever esse gênero acadêmico. Ainda que haja várias obras sobre o assunto, poucas possuem uma linguagem clara para um iniciante. No intuito de contribuir com o tema oferecemos, aqui, algumas sugestões que podem ser úteis por Edmar Cialdine*
Gêneros textuais são caracterizados por sua função sociocomunicativa e por sua estrutura mais ou menos fixa. Mais ou menos porque, ao mesmo tempo em que a estrutura se transforma segundo a necessidade do usuário, se tal estrutura se modificasse excessivamente, o usuário teria dificuldades em reconhecer o gênero e, consequentemente, sua leitura e compreensão poderia ser comprometida.
Apesar do status dos gêneros acadêmicos, eles não são exceções. Pelo contrário, às vezes é muito mais fácil escrever uma carta formal que fazer, por exemplo, uma resenha. Não raro, o formato de um gênero acadêmico segue as direções dadas pelo responsável que a pediu. Assim, ao escrever um artigo é preciso ficar atento às normas da revista; ao fazer um trabalho, ao professor; uma monografia, ao orientador e ao avaliadores. Claro que, ainda que haja diferenças, tais textos possuem partes em comum. Nesse sentido, resolvemos, aqui, apresentar algumas sugestões do que acredito que seja uma forma de estruturar um texto acadêmico, mais especificamente monografias. Importante que se diga que não é o objetivo desse texto ser taxativo - "faça assim", "esse é o jeito certo" - ao contrário, pretendemos ser uma contribuição a mais. Nesse sentido, baseamos esse texto em nossa experiência como leitor, orientador e produtor de monografias.
Antes de qualquer coisa, não é nosso objetivo tratar de normas[1] aqui, abordaremos os elementos textuais, o "miolo" da monografia. No entanto, sendo necessário poderemos mencionar algumas poucas coisas. Outro ponto é que seguiremos a quantidade de capítulos partindo da Introdução. Sim, tanto Introdução quanto Conclusões podem ser considerados capítulos. Desse modo teremos: Introdução, Fundamentação Teórica, Metodologia, Análises e Conclusões. Encerrarei com algumas observações finais sobre apêndices e anexos.
INTRODUÇÃO
Para muitos, começar um texto é tão torturante como tentar criar um novo hábito. Começamos de um jeito, de outro e outro... e geralmente não ficamos satisfeitos. Às vezes, contudo, depois que começamos, o difícil é terminar. A Introdução de um texto deve ser sua apresentação ao leitor, como quando nós nos apresentamos para alguém - e geralmente, causar uma primeira e boa impressão é essencial. Não é porque o texto é acadêmico que ele precisa ser chato e cansativo.
Sempre dizemos aos alunos que a principal diferença entre o Projeto de Pesquisa monográfica e a Monografia em si é a análise feita na Monografia. Grande parte do Projeto, vale ressaltar, vai parar na Introdução.
Se você está apresentando seu trabalho, é necessário deixar claro o que ele é. Começar fazendo um pequeno histórico sobre sua relação com o tema, por que o escolheu, qual a importância dele para você... é um bom início e você pode deixar claro que sua formação acadêmica se direcionou para o tema. A propósito, não deixe de esclarecer qual seu tema e, principalmente, a delimitação[2] dele.
Aos poucos você vai saindo de você para a academia, isto é, você vai deixando de escrever sobre a importância dele para você e passa a dissertar sobre a importância do tema para o universo acadêmico. Chegamos, assim à justificativa e problemática do tema. Explicite bem o problema que existe na área, a lacuna que seu trabalho se propõe a preencher total ou parcialmente.
Acrescente, logo após, as questões de pesquisa: o que você pesquisou sob a forma de perguntas. Essas questões de pesquisa podem ser vistas como a problemática resumidas sob a forma de perguntas. Não esqueça de uma coisa, seu objetivo será respondêlas e é de grande importância para o seu trabalho que essas questões sejam práticas e reais. Caso queira, acrescente possíveis respostas para tais questões (são as hipóteses). Geralmente, não aconselho um pesquisador iniciante trabalhar com hipóteses. O aluno pode ficar condicionado a querer prová-las e acabar comprometendo as análises. Todavia, cada um é cada um e cada pesquisa é única. Contudo, caso você apresente hipóteses, tenha a mente aberta para a possibilidade deles não serem confirmadas e tenha certeza que isso não diminui em nada seu trabalho.
Antes de concluir a Introdução, apresente seus objetivos (não deixe de relacioná-los com as questões de pesquisa). Seu trabalho terá tantos objetivos quantos forem suas questões de pesquisa. É comum eles se dividirem em objetivo geral e específicos - mas isso não é uma regra, você pode apresentar apenas "objetivos" sem especificar nada. O objetivo geral é o ponto que você quer chegar, o principal objetivo do seu trabalho - ele parte da principal questão de pesquisa; já os específicos são secundários e nascem a partir das demais questões. Imagine um guarda-chuva: a haste central é o objetivo geral, as demais, os específicos.
Para concluir[3] a Introdução, é de praxe detalhar a estrutura da Monografia: quantos capítulos e do que trata cada um.
Importante lembrarmos que, quando estamos produzindo o texto, a Introdução geralmente é a última parte, já que ela depende de todo o resto do texto. Então, se você começou por ela, não tem problema; mas fique ciente que, possivelmente, terá que fazer modificações.
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