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Arte

Educação e Arte: estimulação cognitiva em deficiência intelectual


A inclusão no ambiente escolar de alunos com deficiências intelectuais é um debate antigo entre educadores: como lidar e trabalhar com crianças e adolescentes com dificuldades especiais? Através do estímulo provocado pela arte


por Thaís Bedin e Rosângela Ferigolo Binotto

A vida humana em determinado meio vem a ser necessário formar não apenas condições de existência como também de sobrevivência, o que exige uma série de manutenções a seu favor: físicas, químicas, biológicas, comportamental sendo inevitável não abordar uma escala de prioridade, cujo produto reflete na intelectualidade humana.

O presente estudo considera a necessidade de estímulos especiais para o desenvolvimento cognitivo, motor e afetivo das pessoas com deficiência intelectual, por meio da arte. Assim, como outras áreas tem como finalidade contribuir para o avanço na busca pela construção de um diálogo possível entre todos aqueles que, de uma maneira ou de outra, dedicam-se à criação de práticas de inclusão social.

A escola moderna precisa de educadores que proporcionem o desenvolvimento integral do indivíduo sem que haja preconceitos e exclusão. Esta modalidade de educação é considerada atualmente como um conjunto de recursos educacionais com estratégias de apoio disponíveis a todos os alunos, oferecendo diversas alternativas de atendimento em diferentes espaços, seja em classes comuns do ensino regular, com ou sem apoio em salas de recursos, como em escolas especiais ou classes especiais.

Hoje, o contexto de educação especial subjetivamente apresenta um perfil muito mais como necessidades educacionais do que como especialidade, partindo-se do pressuposto de que especiais são todos os alunos, e que especialidade, nesta modalidade de educação, está muito mais relacionada à diversidade das situações de aprendizagem e desenvolvimento cognitivo, do que nas condições dos alunos.

Na mesma proporção, encontra-se a arte, que exerce um papel fundamental na construção, pois envolve a sensibilidade, expressão e afetividade. É diferente e, por isso, fundamental à estética, à percepção, à sensibilidade, para então resultar no prazer e consequentemente na aprendizagem. Na educação de nossas crianças e jovens, é fundamental que percebam e vivenciem a função básica da arte, que é justamente exprimir e comunicar tudo aquilo que diz respeito seu convívio sócio-cultural. O conhecimento da arte abre perspectivas para que o aluno tenha uma compreensão do mundo, na qual a dimensão artística é entendida como uma forma de comunicação, expressão e linguagem que, se estimulada, contribui para o desenvolvimento da percepção, imaginação, raciocínio criativo e sensibilidade, tornando-se agente desafiador e incentivador das aprendizagens nos processos interdisciplinares.

A educação precisa conhecer a especificidade do desenvolvimento
humano, observando, nas limitações, perspectivas de autonomia

A arte como área de conhecimento trabalha com diversas linguagens artísticas, como as Artes Visuais, a Música, o Teatro e a Dança, considerando suas dimensões de criação, apreciação, comunicação, constituindo-se em um espaço de reflexão e diálogo, possibilitando aos alunos entender e posicionar-se diante dos conteúdos artísticos, estéticos e culturais, incluindo as questões sociais. As pessoas com deficiência, como qualquer outro estudante, têm necessidade de expressar sentimentos de modo próprio e incomum. A ausência da atividade artística pode alterar seu equilíbrio interno. Mas, por outro lado, quando bem encaminhadas, as atividades artísticas melhoram a autoestima o desenvolvimento afetivo e facilitam a capacidade de se relacionar, melhorar e de se adequar à sociedade. É importante lembrar que a arte é uma função natural, existente em todas as pessoas. Devemos entender que nem todas as pessoas com deficiência são semelhantes em suas capacidades de aprendizado, independência, habilidade social e estabilidade emocional e, assim, abrir a possibilidade de conscientizar e promover reflexões e ações sobre o benefício da arte tendo isto em vista.

 

Lev Vygotsky, nascido em 1896 e falecido em 1934, foi um pensador importante em sua área, pioneiro na noção de que o desenvolvimento intelectual das crianças ocorre em função das interações sociais e condições de vida. Vygotsky era formado em Direito, mas implantou e trabalhou num laboratório de Psicologia, além de criar uma revista de crítica literária; destacou-se, assim, nas duas áreas, tão distantes de sua formação. A partir de seu crescente interesse pela psicologia e pelas obras de Jean Piaget, começou a desenvolver seu trabalho no ramo da pedagogia. Um de seus mais conhecidos trabalhos é Psicologia da Arte, tema de seu doutorado.

COGNIÇÃO E DEFICIÊNCIA INTELECTUAL

A criança com déficit intelectual apresenta dificuldades para desenvolver elaborações abstratas ou generalizantes, fazendo que a escola desenvolva atividades metodológicas capazes de permitir a convivência e a atuação em diferentes espaços sociais. Para isso, a educação precisa conhecer a especificidade do desenvolvimento humano, bem como uma visão prospectiva de investimento nas potencialidades e estabelecimento de desafios observando nas limitações perspectivas de autonomia que o sujeito possui.

Há várias décadas, a sociedade trabalha com perspectivas positivas de formação de indivíduos, sujeitos com deficiência intelectual, ainda a postura da sociedade e das instituições educacionais ainda tendem a subestimação marcante de suas capacidades. Discussões de Vygotsky, elaboradas no início do século XX e que ainda mantêm um valor de atualidade. Esse teórico concebe o desenvolvimento como processo cultural e argumenta que todo o funcionamento humano se origina e se transforma nas relações sociais. Por isso, recusa a ideia de determinar limites com alguma deficiência. Para citar Vygotsky: “O que decide o destino da pessoa, em última instância, não é o defeito em si mesmo, mas suas consequências sociais, suas relações psicossocial”.

Segundo Vygotsky, a plasticidade do funcionamento humano e a qualidade das experiências concretas proporcionadas pelo grupo social permitem avanços na formação individual, inclusive para aqueles com algum tipo de deficiência. Argumenta, então, que as funções superiores são mais educáveis que as elementares em especial porque, por vezes, essas últimas se encontram diretamente comprometidas pelo núcleo orgânico, e porque as primeiras estão “nas mãos” do grupo social.

Todos são capazes de aprender a desenvolver algum nível de habilidade artística social e conhecimento humano, potencionalizando a cognição — que é o trabalho feito pela arte — sendo ou não portador de algum tipo de deficiência. Isso pode desenvolver um senso de responsabilidade de cuidados pessoais e relacionamento com os demais. A arte desenvolve a cognição, a capacidade de aprender, na arte se permite ousar, explorar, experimentar, inventar, sonhar, sem medo de errar, revelando novas capacidades. Para aprender é preciso ver, conhecer a imagem, para então contextualizá- la, atribuir significado a ela. Inclui a atenção, percepção, memória, raciocínio, imaginação, pensamento, afetividade: é o processo de conhecer, aprender. Para Piaget, “A aprendizagem é ‘aumento do conhecimento’ uma reestruturação da estrutura cognitiva do indivíduo (esquemas de assimilação mental)”.

 

 

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