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Plural, plurais... E outros obstáculos!


O plural é uma categoria gramatical das palavras variáveis, tanto quanto o gênero e o número, para ficarmos somente com os nomes simples e seus determinantes, deixando de lado os verbos, que apresentam ainda outras desinências


Por Leo Ricino

A desinência típica do plural no caso dos nomes é o S. E aqui já começamos a enfrentar os primeiros problemas, pois há muitas e muitas palavras terminadas em S, mas que estão no singular: lápis, cútis, pires, ourives etc. Essas palavras, todas do singular, podem passar a impressão de um falso plural. Mas o povo não se tem deixado enganar por elas!

O leitor mais atento perceberá que na própria concordância verbal, quando o sujeito é representado por nomes de obras, cidades, países e acidentes geográficos em geral, não é o “S” que determina a concordância do verbo com o sujeito e sim os determinantes.

Ou seja, o verbo não reconhece o S como marco de plural. Assim, em “Os Andes se estendem por grande parte da América do Sul”, o verbo vai para o plural porque o seu sujeito, “Andes”, está determinado pelo artigo “Os” e não porque na citada palavra aparece um S. Tanto que em “Campinas fica a apenas uma hora da capital” o verbo permanece no singular, embora a palavra “Campinas”, seu sujeito, esteja no plural. No entanto, para o verbo aceitá-la como plural essa palavra precisaria ser modificada por um determinante que consolidasse esse plural. Como não há, a concordância se realiza no singular.

Portanto, como se viu, nem toda palavra terminada em S está no plural. Vamos, neste artigo, tratar de alguns plurais diferentes, alguns até exóticos. Só trataremos dos nomes simples.


OS MAIAS
Embora atualmente se dê preferência (no jornalismo, principalmente) ao uso dos nomes próprios no singular (os Silva, os Bueno de Albuquerque, os Sarney), o uso do plural tem sido largamente usado na literatura — Os Maias vem a ser justamente o título de uma das mais célebres obras de Eça de Queirós (1845-1900).


PLURAL DE NOMES PRÓPRIOS

Reza a norma que os nomes próprios obedecem às mesmas regras dos nomes comuns. Isso quer dizer que apresentam plural com todos os esses: os Andradas, os Maias, os Barbosas etc.

Mas há quem prefira mantê-los no singular, como fez o dr. Hélio Pelegrino na crônica “Os Barões das Biroscas”, de 1982, ao referir-se a traficantes e viciados dos morros cariocas: “os Zaca”, “os Cabeludo”. (In “A Burrice do Demônio”, Ed. Rocco, Rio de Janeiro, 1982)


PLURAL DE SIGLAS E ABREVIATURAS
Sigla, basicamente, é a formação de uma palavra aproveitando-se as iniciais ou algumas letras de um nome. Assim, de Banco Brasileiro de Desconto S.A. formou-se a sigla Bradesco; de Instituto Nacional de Seguro Social formou-se INSS. Abreviatura é a redução de uma palavra a uma ou algumas de suas letras, como Ilmo. (ilustríssimo), Sr. (senhor) etc. Há também as abreviações, que são reduções de palavras a sua parte inicial, como foto de fotografia, pneu de pneumático, xerox de xerocópia etc.

Em relação ao plural de siglas, abreviaturas e reduções, o VOLP, sigla de Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, na 5.ª edição, adaptada ao recente Acordo Ortográfico, registro oficial do léxico de nossa língua, omitiu-se quanto ao estabelecimento de regras, mas usa abreviaturas nas exposições e esclarecimentos (p. XCVII e XCVIII) e reduções e siglas (p. 865).

Ao omitir-se, o VOLP passa-nos a ideia de que não há necessidade da criação de uma norma geral. Contudo, para abreviaturas, siglas e reduções (na página 865 há uma nota explicativa sobre as “Reduções mais correntes”, nome genérico das três modalidades), o VOLP expõe 12 páginas sobre as mais variadas reduções e abreviaturas, várias delas com seus plurais. Vejamos alguns desses plurais: Dr.as (doutoras), Drs. (doutores), Sr.as (senhoras), S.res (senhores, e essa deve ser especial, porque, na minha edição, aparece três vezes, em sequência, na p. 875!), págs ou págg (páginas) etc.

DESINÊNCIA X SUFIXO
Desinência é partícula insignificativa que se coloca no final das palavras para provocar-lhes mudanças de gênero, de número, de pessoa etc. Não confunda desinência com sufixo pois este é elemento formadore de palavra nova. Nos próprios sufixos podem ocorrer desinências. Em meninos, o ‘o’ é desinência do masculino, e o ‘s’ é desinência de plural. Já em “pedreira”, pedr é o radical primitivo, e “eira” é o sufixo que formou a palavra derivada.

 

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