A Língua é o bem mais precioso da humanidade, conhecer, integrar, vivenciar, desenvolver contextualmente as diversas possibilidades de apropriação e sistematização são umas das diferentes estratégias que o professor de Língua Portuguesa pode usufruir, intervir e consequentemente consolidar. Estudiosos como Magda Soares, Ana Teberosky, Emília Ferreiro, entre outros, apontam como é notável o conhecimento da língua que os educandos vivenciam na sociedade, deparando-se com placas, outdoors, manuseio de computadores, acesso a internet, rótulos. Esses são essenciais no processo de letramento. Não há como excluir ou tapar os olhos para a contextualização da escrita. O segredo está em olhar para o aluno como um ser pensante, não como uma tábua rasa.
É na escola que as novas gerações têm a oportunidade de vivenciar diferentes práticas de leitura e escrita e, pelo menos em tese, apropriar-se de uma gama de gêneros discursivos e desenvolvê-los. Os gêneros são ótimos suportes para os alunos refletirem sobre o uso da língua. A partir de leituras e das análises de textos, o professor poderá fazer a abordagem gramatical (análise lingüística), consolidando uma prática didático-pedagógica de letramento. A análise de palavras e frases isoladas; a memorização de regras e nomenclaturas; a realização de exercícios desprovidos de qualquer funcionalidade deixaram de satisfazer um ensino de qualidade, pois em nada contribuem para a formação do aluno leitor e produtor de texto.
Para tanto, o material textual a ser disponibilizado ao aluno deve, por um lado, ter boa qualidade: ter uma linguagem adequada ao contexto de produção (coerência de variedade e registro), ser coeso e coerente, utilizar critérios adequados de paragrafação, estar pontuado adequadamente e registrado de acordo com as regularidades de variedade padrão. É preciso estar atento para os valores éticos e estéticos que estiverem sendo veiculados no material de leitura e é sempre bom ressaltar a necessidade de que os textos tratem de temas que sejam do interesse do grupo de alunos com os quais se trabalhará.
É sabido que a nossa língua é um código. A tarefa de reflexão, sequenciação, interlocução, integração são imprescindíveis para seu entendimento. Dessa forma, pretende-se que os educandos possam ler e escrever a maior parte dos textos que circulam na sociedade em que vivem, e não só saibam, mas exerçam práticas de leitura importantes para exercer seu papel de cidadão, ler: jornais, revistas, livros, tabelas, quadros, formulários, documentos pessoais, contas de água, luz, telefone, bilhetes, telegramas, e escrever cartas, relatórios, ou seja, propor atividades e situações de aprendizagem da língua e dos usos e funções sociais da escrita.
A reorganização e reformulação dos modos de ensinar perpassam por uma constante reflexão e troca de experiências. É preciso fazer uso da leitura e da escrita no cotidiano, ou seja, apropriar-se da função social dessas duas práticas para que possam saber usá-las; Em suma, a ação pedagógica é imprescindível e deve estar comprometida efetivamente com a produtividade e que contemple de maneira articulada e simultânea as experiências individuais com as práticas da sala de aula.
*Professoras de Nova Olímpia (MT), com graduação em Letras (UNEMAT) e pós-graduação em Educação Interdisciplinar (ICE).
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