Entrevista
 E como vai o Português na China?
Entrevista com duas estudiosas da língua portuguesa que atuam em Macau oferece panorama do ensino do português como língua estrangeira e destaca as oportunidades e os desafios do idioma no país.
Por Simone Malaguti*
Macau chama a atenção por circunstâncias muito singulares. É uma cidade pequena e peninsular e foi colonizada por portugueses em terras chinesas. Possui uma área inferior a 20 quilômetros quadrados, incluindo a de duas ilhas, Taipa e Coloane. Nesse território vivem cerca de 540.000 mil habitantes, sendo que 90% são de etnias chinesas, 7% de estrangeiros e 3% de portugueses. Além do mandarim, o português é a língua oficial do país. Parte dos habitantes conhece ainda o patuá, um dialeto crioulo macaense, nascido com base no falar lusitano influenciado pelo contato com outras línguas e culturas. Em geral, Macau tem sido descrita como um complexo espaço, situado no contexto de vastos intercâmbios culturais e, por isso, tem motivado a reflexão de especialistas de áreas diversas acerca das possibilidades de entendimento entre povos de diferentes culturas.
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| Bocage, escreveu odes, duas delas dedicadas a senhoras macaenses, “senhoras de grande linhagem e de grande beleza”. |
O exotismo macaense exerceu certo fascínio sobre alguns escritores portugueses que passaram na cidade temporadas de dedicação à literatura portuguesa e a estudos sobre a cultura local. Bocage, por exemplo, esteve ali 200 anos após Camões e escreveu odes, duas delas dedicadas a senhoras macaenses, “senhoras de grande linhagem e de grande beleza”. Cerca de 200 anos após Bocage, são duas professoras universitárias que se destacam por se dedicarem ao ensino e à divulgação da língua portuguesa em Macau. Confira a seguir entrevistas com as professores Maria Helena Rodrigues e Maria Antonia Espadinha sobre a inserção da cultura e da expressão da língua portuguesa em Macau e as oportunidades para os profissionais das carreiras das Letras na Ásia e na Europa.
| Biografia |
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A Profa. Dra. Maria Helena Rodrigues é natural de Leiria, Portugual. Fez o curso primário e iniciou o secundário no final da década de 1950 e início dos anos 1960, respectivamente. Voltou para Lisboa, onde estudou e trabalhou até 1994. Em seguida, transferiu-se para Macau, onde trabalhou primeiramente como professora de Língua Portuguesa no Liceu de Macau. Devido à experiência, foi convidada para trabalhar como docente na Universidade de Macau. Como professora universitária conduziu ainda pesquisa sobre a aprendizagem da língua portuguesa em Macau, Pequim e Xangai. Concluiu sua tese de doutorado na Universidade de Birmingham, no Reino Unido, à qual se mantém ligada como Honorary Research Fellow. Foi também presidente do Instituto de Português no Oriente (IPOR) em Macau. Atualmente, está aposentada da docência, mas continua pesquisando. Em Portugal, é membro do Conselho Científico do Instituto de Linguística Teórica e Computacional (ILTEC)..Dentre suas publicações e comunicações, destacamse: “A globalização da Língua Portuguesa e a Lusofonia” (2001), “Culturas de aprendizagem na didáctica de línguas estrangeiras.” (2001), “A Universidade e a difusão da língua.” (2000), “Línguas em contacto” (1997) |
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