 Insultos raciais: A figura humana na caracterização popular e os nomes de animais
Situações metafóricas incluem nomes de animais para caracterizar pessoas e, às vezes, geram preconceitos. por Anderson Gonçalves Ferreira* e Stella Atiliane Almeida de Sá**
A animalização do homem é um fenômeno que pode ser abordado de diferentes maneiras. Desde a consideração do homem que é animalizado por realizar atos não humanos até aqueles que são tratados pela sociedade como animais, passando pela animalização na forma de fábulas ou das histórias em quadrinhos. Outro aspecto que vale a pena considerar é o de abordar os animais com os critérios humanos, com a projeção de atitudes e sentimentos próprios do homem.
O homem que livremente se animaliza pelos seus atos é considerado clinicamente doente. Já o homem que é animalizado pela sociedade, o chamado excluído, merece o resgate de sua dignidade. As fábulas exprimem o sentimento humano de forma atenuada pela fala animal — algo semelhante aparece nas histórias em quadrinhos. Colocar sentimentos humanos nos animais seria fazer algo semelhante a um transplante de cabeças.
A proposta deste estudo é, pois, analisar a animalização do homem em oposição à personificação animal
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Polissemia e homonímia
Polissemia é o vocábulo que possui mais de um significado, como romper, que pode significar rasgar, revelar, ter início, brigar ou destroçar. Já a homonímia acontece quando dois vocábulos diferentes, de origens e significados diversos, convergem para a mesma configuração fonológica e ortográfica. As palavras homônimas podem ser homógrafas (iguais na escrita e diferentes na pronúncia, como o substantivo gosto e a forma do verbo gostar, gosto), homófonas (iguais na pronúncia e diferentes na escrita, como os substantivos cessão, seção e sessão) ou homônimos perfeitos (iguais na pronúncia e na escrita, como verão, forma do verbo ver, e o substantivo verão).
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A assimilação de novos vocábulos
O conceito de “pedir emprestado” um vocábulo que não pertence à língua materna compreende diversas etapas até a completa identificação da palavra com a língua que a escolheu. Na primeira fase de aceitação, o termo é identificado como estrangeiro, tornando- se apenas empréstimo quando adotado verdadeiramente pela integração na forma da língua e pelo uso corrente, como afirma a professora da Universidade Federal de Pernambuco, Nelly Carvalho .O enriquecimento do vocabulário por meio de empréstimos é atestado desde as épocas mais antigas. O próprio latim vulgar já havia assimilado e difundido palavras de outras línguas.
Analisando do ponto de vista histórico, o léxico do português brasileiro aparece como resultado de um longo processo, no qual muitas palavras antigas se perdem ou só sobrevivem com novas funções e novos valores, ao mesmo tempo em que novas palavras vão sendo constantemente criadas. Alguns teóricos afirmam que, para compreender melhor esse processo, podem-se distinguir no léxico do português do Brasil pelo menos quatro grandes conjuntos de palavras e expressões: as que remontam ao latim vulgar, como resultado de seu desenvolvimento fonético; os empréstimos recebidos das línguas com as quais o português teve contato; as palavras eruditas, tiradas diretamente do latim e do grego clássicos; as criações vernáculas, isto é, palavras criadas no interior da própria língua com base em palavras preexistentes. Nesse sentido, vale acrescentar aqui os empréstimos dentro da própria língua quando uma mesma palavra pode ser utilizada em diversas situações com sentidos diferentes, o que se chama de polissemia e homonímia . Os empréstimos linguísticos são reflexos da interpenetração das culturas, sendo que, quanto mais poderosa for a nação, maior será a influência de sua língua. Esse empréstimo dentro da própria língua, o chamado empréstimo de sentidos, dentro do aspecto estudado também empresta certo “poder” para seus usuários, remontando a um fator de desigualdade social e linguística.
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