Onde os desenhistas tiram tantas ideias para as charges?

Descubra, nesta entrevista, de onde os desenhistas/ilustradores retiram ideias para suas tiras, charges e cartuns

Por Sérgio Simka*


Quando você está folheando algum jornal e, de  repente, se detém numa tira ou numa charge publicadas no caderno de cultura/entretenimento, você desanda a rir, achando muiiiiiita graça. Se você acompanha regularmente o trabalho de determinado ilustrador/desenhista, deve se perguntar de onde o iluminado tira (essa é boa!) tanta ideia para constantemente lhe fazer rir, por qual universo paralelo o cara costuma viajar para presentear o leitor com umas concepções artísticas de causar inveja à imaginação dos seres ditos mortais. Não deixe esse sorriso esmorecer, pois a sua dúvida será esclarecida por meio da entrevista abaixo, com um dos desenhistas/ilustradores mais criativos e talentosos que conheço, o jornalista Sergio Ribeiro Lemos, o famoso Seri. O elogio acima é proposital, pois o Seri não cobrou nenhum pro labore por eu não só tê-lo entrevistado como solicitado que as respostas viessem o quanto antes. Quem conhece o que é prazo de entrega (o temido deadline) sabe do que estou falando… Mas a entrevista é séria, pois Seri é fera. É jornalista formado pela Faculdade de Comunicação de Santos (SP). Desenhista publicitário e ilustrador-jornalista. Trabalhou na Empresa Folha da Manhã (Jornal Cidade de Santos), jornal A Tribuna de Santos e atualmente labuta no jornal Diário do Grande ABC, publicando suas incríveis sacadas. Acompanhe a seguir as perguntas e respostas. E quando terminar de ler, se acabe de rir vendo o blog dele: http://humordoseri.blogspot.com.br/.

Como foi sua incursão na “arte da ilustração”? Como tudo começou?
Sempre gostei de desenhar em sala de aula e, certa vez, uma professora de inglês viu o que eu estava aprontando e disse que eu tinha criatividade. Me indicou um povo que estava montando uma cooperativa de jornalistas, um jornal bem subversivo (o preto no branco/ 1979) e lá fui eu…

Você recebeu muitos prêmios. Fale-nos sobre eles. Qual deles mais o sensibilizou?
Cada um tem uma história e uma importância. O último é sempre o mais importante, mas o que mais me toca enquanto profissional é o do índio, pelo papel social que o cartum representa.

 

Como surgiu a personagem “Bigail”? (Seri a criou em 1989)
A personagem surgiu de leituras de psicologia adulta e infantil. As ideias iam aparecendo no decorrer das pesquisas e aí quis uma personagem para ancorá-las.

Você publicou em 2009 dois livros infantis: “Dado, o Gato sem Rabo” e “Oto, o Menino que Abraçava Árvore”. O que o moveu a escrevê-los?
Sempre gostei de experiências diversas em minha área. Mas livro, apesar da trabalheira que dá e o parco retorno financeiro, é uma das aventuras mais emocionantes em comunicação.

De “onde” você tira a inspiração para produzir uma tira diariamente?
Às vezes “aparecem ideias do nada”. A gente sabe que não é bem assim: qualquer ideia, sacada, é fruto de trabalho, experiências, leituras e alguma concentração. Muitas vezes eu espremo
o cérebro pra sair alguma coisa, leio jornais, vejo outros autores etc. e tem oportunidades em que estou dormindo e vem uma ideia legal.

O que tem lido ultimamente?
Gosto de ler de tudo. Dou preferência às biografias. Agora estou terminando a vida do Barão de Mauá, de Jorge Caldeira, uma viagem não só pela vida do primeiro empreendedor do Brasil,
como pelo desenvolvimento do caráter do nosso povo.

Quais os seus projetos? Já pensou em reunir num livro parte de seu trabalho?
Recentemente lancei meu livro de tiras “Bichos, homens e deuses” que reúne mais de 250 trabalhos publicados nestes 14 anos de Diário do Grande ABC.

Uma pergunta que não fiz e que você gostaria de responder?
Se posso mandar um beijo pra minha mãe, minha mulher e meu filho (tô brincando). Tá ótimo. Vamos tomar um café? É outra ótima pergunta.

Bem, assim termina a entrevista, com a irreverência desse artista a quem admiro profundamente. E que o leitor, acredito, vai passar também a admirar a partir de agora.

*Professor e escritor, autor de 39 livros publicados. Mestre e doutorando em Língua Portuguesa pela PUC-SP.