Escola contemporânea: Novas maneiras de aprender e ensinar

Veja como as formas de ensino têm se atualizado e proporcionado um aprendizado mais dinâmico aos alunos

Texto Eugênio Cunha | Adaptação Isadora Couto | Foto Shutterstock 

 

Na educação, se quisermos atrair nossos alunos por meio de um ensino cativante e ligado ao seu tempo, será preciso propor uma nova perspectiva de atuação docente para enfrentarmos o descompasso que há entre o modelo pedagógico emergente, trazido pela demanda das novas tecnologias digitais, e o modelo hegemônico que se institucionalizou na escola através dos anos. A questão faz emergir a necessidade de novas abordagens epistemológicas a respeito da aprendizagem escolar, uma vez que novas perspectivas de aprendizagem, que estimulam diferentemente os sentidos, promovem outras formas de acesso ao conhecimento. Se anteriormente já não bastava ao professor o quadro verde e o giz, muito mais agora, em que os educandos são estimulados fora da escola em suas dimensões cognitivas e afetivas. É preciso atentar para os movimentos e as mediações contemporâneas, que reorganizam a relação com o saber por meio dos usos das novas tecnologias digitais interativas (internet, celulares, tablets, dentre outras). A Revolução Industrial, iniciada na segunda metade do Século XVIII, teve profundos impactos nas questões sociais e econômicas. A máquina veio substituir o esforço humano, passando a ser uma extensão muscular do homem. Ela ocupa o lugar de grande parte da força física e da energia do trabalhador fabril. Houve grandes mudanças sociais. O homem deixa o campo e vai para a cidade buscando trabalho. As estruturas urbanas daquela época não suportavam tão grande migração. Diante de nova ordem social, a ideia industrial de autoridade hierárquica do patrão sobre o empregado seria replicada nas relações sociais e entre professor e aluno, o que se tornaria, nas palavras de Paulo Freire, a educação de “A para B” ou de “A sobre B”. São as regras e as normas de conduta que prevalecem obscurecendo a criatividade e a autonomia. Durante anos, sobre a égide dessa racionalidade, predominaram as hierarquias sociais tornando secundárias manifestações que não fossem estritamente submissas aos paradigmas já estabelecidos, o que colocou em um plano inferior a participação do aluno nos processos de aprendizagem.

 

Entretanto, na atual revolução tecnológica, que ocorre na sociedade por meio das redes sociais, dos aplicativos para smartphones e de outras mídias digitais, a máquina torna-se uma extensão cerebral do homem. Uma extensão cognitiva e criativa. Surgem as tecnologias de inteligência, nas quais, o usuário manipula com proficiência o conteúdo, propiciando novas ideias e novas formas de criação. Elas renovam as nossas relações com a imagem, com a escrita, com a língua, com o conhecimento e com o outro. Na verdade, elas demandam também, ao contrário de um modelo rígido tradicional, uma flexibilidade na relação com o conhecimento, dentro de uma pedagogia Freiriana de educação de “A com B”. Se a Revolução Industrial e a concepção autoritária do trabalho trouxeram negativos modos de tratamento do homem com seu semelhante, com inegável influência na educação, esta nova revolução traz seus matizes para dentro das salas de aula, que precisam ser interativas, interessantes, contemporâneas na forma e no conteúdo, com educadores ligados aos movimentos ao seu derredor. O aluno não é mais um ser passivo e sem participação na construção da sua aprendizagem, pois aprende nas suas trocas no mundo virtual e físico, ao mesmo tempo em que se torna o seu principal interlocutor na aquisição do conhecimento, ocupando papel decisivo na sociedade contemporânea.

 

Não seria ideal um rompimento radical com tudo que se construiu em torno da educação. Há ferramentas pedagógicas e outros métodos adequados que sempre foram utilizados no seio da escola. O antigo nem sempre é retrógrado. Basta lembrar ideais de Anísio Teixeira e dos pioneiros da Escola Nova, na década de 30, que são pertinentes até os dias de hoje. O que propomos é um retorno ao amor, aos fundamentos da afeição e do caráter de amorosidade, que deve primar nas mediações de aprendizagem, no prazer de aprender e de ensinar. A escola deve possibilitar ao discente a autonomia de sua aprendizagem. A utonomia, que é uma das metas fundamentais da educação, faz-se imprescindível em qualquer espaço educativo, com qualquer estudante. Há, portanto, em sala de aula, uma carência contumaz que os alunos trazem e que demanda a atuação coletiva, a aprendizagem espontânea; que move uma teia de desejos e aspirações que reforçam a ideia de mudança nos conteúdos curriculares e nas instrumentações pedagógicas. O que ocorre é um movimento de afetos e sonhos que deseja expandir-se para dentro da escola, com a articulação de diversos atores, com produções individuais, mas fazendo múltiplas conexões com o mundo, como os instrumentos de uma orquestra que seguem os compassos da música, cada um em sua  autonomia, exercendo a coletividade. Diante disso, vamos falar sobre algumas ideias que podem ajudar o trabalho do professor em sala de aula. Primeiramente, vamos refletir um pouco sobre como ocorre a aprendizagem do nosso educando.

 

 

 

Revista Conhecimento Prático Língua Portuguesa | Ed. 55