Diversidade x Direitos Humanos

Ao se pensar na escola, a diversidade é um tema de grande importância. Entenda o porque

Texto Mary Rangel | Adaptação Isadora Couto | Foto Shutterstock 

 

Quando se trata de inclusão/exclusão, é oportuno compreender mais amplamente esses processos, abordando-os de forma dialética. Na abordagem da dialética inclusão exclusão, realça-se o entendimento de que, para compreensão desses processos e o enfrentamento da exclusão, é necessário percebê-los de modo mais abrangente, em seu alcance e ocorrências, e não apenas com referência a um único grupo social. O princípio de que, para enfrentar a exclusão, é preciso compreendê-la como processo que ocorre em várias circunstâncias, é também adotado neste texto, acrescentando-se que a percepção ampla de processos excludentes e seu enfrentamento requerem a sua abordagem dialética e a sua percepção no contexto mais abrangente em que se situam: o da diversidade. O enfrentamento da exclusão necessita do empenho acadêmico, social e político em decisões e movimentos pela inclusão, justiça e autonomia dos sujeitos, respeitando-se suas diferenças socioculturais e identitárias.

 

Contudo, ressalva-se que não se entende ou propõe o acolhimento à diversidade como subalternização do outro, do diferente, ou como forma de colonização, mas sim garantindo-se seus direitos à vida cidadã e, nesse sentido, a sua efetiva participação nas decisões políticas e a sua afirmação como sujeitos sociais. É nesse sentido que se assume, como premissa e perspectiva deste estudo, a reivindicação do respeito à diversidade, em seus vários contornos. A exclusão, portanto, se dá por vários processos e manifestações, a exemplo, entre outros, da xenofobia, da homofobia, do antagonismo étnico-racial ou do fundamentalismo religioso, notando-se, em todos esses aspectos, opressões, violências e mortes, que têm se potencializado nos casos de radicalizações, como os que ocorrem, com frequência, na rejeição às identidades de gênero. As atitudes de discriminação também estão subjacentes ao abuso, cuja discussão tem se incrementado nos estudos acadêmicos, com especial ênfase nas áreas de educação, sociologia, psicologia e direito. Nessa discussão, focalizam-se consequências em prejuízos ao bem-estar e à dignidade humana, de ações, atitudes e palavras abusivas, excludentes, causadoras de alto nível de estresse e, através dele, do medo, da fuga, da subalternidade, da invisibilidade de sujeitos e grupos que se “escondem”, que se imobilizam, que se silenciam, ou são silenciados.

 
Consideram-se, ainda, nos efeitos cotidianos do estresse, a redução da capacidade de atenção e concentração, assim como da memória e condições de ação, decisão e relações humanas e sociais, reduzindo significativamente a confiança e a autovalorização. O bem-estar subjetivo inclui autoestima, autoaceitação, autodeterminação, relações sociais positivas, orientadas pelo respeito, qualificação e acolhimento, superação de medos, opressões e fatores de tensão que prejudicam a tranquilidade e a saúde. As perturbações, o desconforto psicossomático, provocados ou acentuados pelo estresse são, portanto, compreendidos como fenômenos psíquicos decorrentes de situações que tensionam continuamente os sujeitos, causando problemas fisiológicos e afetando a saúde dos órgãos. Assim, a doença pode ser a resposta orgânica e psicológica a frequentes descompensações ou transtornos emocionais. Os estudos sobre estados emocionais e saúde física enfatizam os efeitos do estresse nas funções cardiovasculares e no sistema imunológico. Esses efeitos constituem reações psicossomáticas, podendo-se, até mesmo, entendê-las como expressões silenciosas do corpo, que podem se associar, inclusive, à frequência com que o indivíduo submetido a estresse pode ter inibida a sua capacidade de expressão por palavras ou ações.

 

 

***Adaptado do artigo “O respeito à Diversidade e duas implicações no Direitos Humanos” 

 

Revista Conhecimento Prático Língua Portuguesa | Ed. 57