Um novo olhar sobre ensino de Gramática na escola básica

Um novo olhar sobre ensino de Gramática na escola básica

Texto Leonardo da Silva*

Partindo da concepção de linguagem como interação social, a gramática reflexiva fundamenta-se nesse pressuposto e, segundo Magda Soares, trata-se de uma gramática em explicitação, que surge da reflexão com base no conhecimento intuitivo dos mecanismos da língua e será usada para o domínio consciente de uma língua que o aluno já domina inconscientemente. Concordamos com Soares no que concerne à reflexão com base no conhecimento intuitivo para o domínio consciente dos recursos da língua, mas acreditamos que a reflexão deve atuar também para o domínio de uma língua (variedades e recursos) que o aluno ainda não domina inconscientemente. Sabemos que cada falante adquire e internaliza a língua em uma de suas variedades: aquela que é predominante em seu meio; por isso, entendemos que nosso objetivo como professores de língua portuguesa para falantes nativos de português não é contribuir para que adquiram a língua, como no caso do ensino de língua estrangeira, mas ampliar sua capacidade de uso dessa língua, desenvolvendo sua competência comunicativa por meio de atividades com textos utilizados nas mais variadas situações de interação comunicativa e que, por isso mesmo, serão construídos e constituídos com recursos próprios:

• dos tipos de textos adequados aos diferentes tipos de interação comunicativa;
• das variedades linguísticas utilizadas em cada caso, de acordo com as variáveis determinantes dessas variedades (dialetos e registros).

Assim, não concordamos que a gramática reflexiva seja só um trabalho de reflexão sobre o que o aluno já domina, mas também um trabalho sobre recursos linguísticos que ele ainda não domina, para levá-lo à aquisição de novas habilidades linguísticas, realizando assim um ensino produtivo, como preceituam os Parâmetros Curriculares Nacionais, e não apenas uma descrição. É possível realizar um tipo de trabalho de gramática reflexiva com o objetivo de desenvolver a competência comunicativa e que tenda a ser melhor alcançado por atividades que focalizem essencialmente os efeitos de sentido que os elementos linguísticos podem produzir na interlocução, visto que fundamentalmente estamos pretendendo desenvolver a capacidade de compreensão e expressão.

Seria uma reflexão mais voltada à semântica e à pragmática e que indaga:
• como entendê-lo?
• em que situação pode e/ou deve ser usado e com que fim, produzindo que efeito de sentido.
Como se poderá observar, a relação paradigmática será sempre relevante nesse tipo de atividade, pois a metodologia da gramática reflexiva aqui proposta consistirá basicamente em:
• questionar quais seriam as alternativas de recursos a serem utilizados;
• comparar os efeitos de sentido que podem produzir em cada situação de interação comunicativa;
• comparar os efeitos de sentido que um recurso ou diferentes recursos podem produzir em diferentes situações de interação comunicativa.

Portanto, trata-se de uma atividade de ensino de gramática que se preocupa mais com a forma de atuar usando a língua, do que com uma classificação dos elementos linguísticos e o ensino da nomenclatura que consubstancia essa classificação. Essas proposições oferecem ao professor a orientação básica para a elaboração de atividades de gramática reflexiva: sempre comparar as instruções de sentido contidas em recursos alternativos que estão à disposição do usuário da língua, para que ele possa escolher ao constituir/construir seu texto em dada situação de interação comunicativa para a consecução de uma dada intenção comunicativa. As atividades podem assumir as formas que a capacidade de criação do professor encontrar, mas devem sempre levar o aluno a pensar na razão de se usar determinado recurso em determinada situação para produzir determinado efeito de sentido. Tal ação vai contribuir para que ele utilize com mais segurança e precisão os recursos da língua ao produzir seus textos e tenha sua capacidade de leitura bastante ampliada e aperfeiçoada, para julgar o que quer dizer o produtor de um texto, ao usar certos recursos da língua e não outros.

 

Essas proposições oferecem ao professor a orientação básica para a elaboração de atividades de gramática reflexiva: sempre comparar as instruções de sentido contidas em recursos alternativos que estão à disposição do usuário da língua, para que ele possa escolher ao constituir/construir seu texto em dada situação de interação comunicativa para a consecução de uma dada intenção comunicativa. As atividades podem assumir as formas que a capacidade de criação do professor encontrar, mas devem sempre levar o aluno a pensar na razão de se usar determinado recurso em determinada situação para produzir determinado efeito de sentido. Tal ação vai contribuir para que ele utilize com mais segurança e precisão os recursos da língua ao produzir seus textos e tenha sua capacidade de leitura bastante ampliada e aperfeiçoada, para julgar o que quer dizer o produtor de um texto, ao usar certos recursos da língua e não outros.

Portanto, o aluno se tornará cada vez mais consciente de que a escolha dos elementos da língua para construir textos não é fortuita, mas regida pela adequação do recurso linguístico e das instruções de sentido que contém, aos propósitos do usuário da língua em cada situação de comunicação. A título de ilustração, apresentamos algumas pistas para elaboração de atividades de gramática reflexiva, levando em consideração: que temos quatro tipos básicos de “adjetivo”: o adjetivo (classe de palavra), o particípio funcionando como adjetivo, a locução adjetiva e a oração adjetiva; que entre esses tipos de “adjetivo” há certas equivalências, como entre “adjetivo” e “locução adjetiva” e entre “adjetivo” e “oração adjetiva”; seria significativo construir atividades de gramática reflexiva sobre o adjetivo como classe de palavra e como função que levassem os alunos a refletir sobre a diferença, por exemplo, entre dizer algo usando “um adjetivo” e “uma locução adjetiva” e também sobre a diferença, por exemplo, entre dizer algo usando “um adjetivo” e “uma locução adjetiva” e também sobre a diferença entre dizer algo usando “um adjetivo” e “uma oração adjetiva”.

Acreditamos que o trabalho com a gramática reflexiva em sala de aula pode ajudar melhor o aluno a utilizar a língua com mais eficácia e adequação levando em conta aspectos da gramática da língua a que o ensino não tem dado a devida atenção.

*Leonaldo Silva é mestre em Letras, doutor em Educação e docente de cursos de graduação da UFS/SE, de cursos de Pós-Graduação da Faculdade Amadeus / FAMA/SE e da Faculdade Pio Décimo / SE.