A criação de neologismos

A língua é dinâmica, viva passível de mudanças constantes e está sempre pronta para o recebimento de neologismos. Confira!

Texto Luiz Roberto Wagner e Djenane Sichieri Wagner Cunha | Adaptação Isadora Couto | Foto Shutterstock

 

Neologismo é o processo de criação de uma nova palavra na língua devido à necessidade de designar novos objetos ou novos conceitos ligados às diversas áreas: tecnologia, arte, economia, esportes etc. Morfologicamente, é composta de duas palavras: neo-, vindo do prefixo νεο- do grego antigo, “novo”, e λόγος, que significa “palavra”, adicionando-se o sufixo -ismo (do grego = próprio de). Portanto, “neologismo” é um fenômeno linguístico que consiste na criação de uma palavra ou expressão nova. Em todos os períodos literários de nossa literatura, os poetas e prosadores sempre criaram neologismos, visando à escansão métrica, à rima e à criação de efeitos de sentido inusitado. Exemplificando: no Barroco, os conceptistas – como o Padre Antônio Vieira – tinham preferência pela criação de silogismos, enquanto o poeta Gregório de Matos – representante do cultismo brasileiro – usava trocadilhos e abusava dos neologismos, tal como fez no poema Epigrama I, em que criou o termo recrócio, até então inexistente na língua portuguesa, por tratar-se de uma rima difícil naquele contexto.

 
Para fazer parte do nosso vocabulário, toda palavra tem de se adaptar aos padrões da língua portuguesa. No entanto, a maneira mais simples para o surgimento de uma nova palavra não é a construção, mas a adaptação de sentido. Com o tempo, esses neologismos são adicionados ao dicionário e passam a fazer parte do léxico. Os neologismos podem ser criados a partir de palavras da própria língua do país (como as palavras “presidenciável” e “carreata”, por exemplo) ou a partir de palavras estrangeiras (“roqueiro” e “deletar”, por exemplo). Diversos processos de formação de palavras entram na criação de neologismos, tais como: composição por justaposição e por aglutinação, derivação prefixal e/ou sufixal, abreviação, importação de vocábulos existentes em outra língua, ou, ainda, por meio de um novo sentido dado a uma palavra já existente.

 

 

 

Revista Conhecimento Prático Língua Portuguesa | Ed. 56